terça-feira, 23 de setembro de 2008

JMS e a problemática do Documentário Brasileiro



"A tirania do tema único é sobretudo a tirania do personagem sem movimento, paralisado num enredo único e pobre. De um modo geral, nosso cinema deveria olhar menos para baixo e erguer os olhos, se não para cima, onde estão os poderosos, ao menos para os lados: cineastas falando do seu mundo. Do contrário, passaremos a vida repetindo a mesma fórmula de 90% dos filmes não-ficcionais brasileiros: os que têm, repletos de piedade e de indignação, filmam os que têm menos ou nada têm. Chega de tanto zelo missionário, de tão bons sentimentos. Por que não enfrentar o que é realmente difícil? A vida da gente, os nossos afetos, a nossa eventual mediocridade, a nossa eventual impotência? Basta olhar a Argentina e aprender um pouco com eles. A respeito do debate do tráfico, acho que já estamos fazendo isso há muito tempo. **Certamente não é o cinema que dará uma contribuição importante para a discussão. Não é o nosso papel. O papel do cinema é refletir sobre si mesmo. É avançar a gramática".


João Moreira Salles, documentarista

quarta-feira, 18 de junho de 2008

cantando no Cinema

Jude Law and Cat Power plays Jeremy and Katya in "My Blueberry Nights"



"A few years ago, I had a dream. It began in the summer and was over by the following spring. In between, there were as many unhappy nights as there were happy days. Most of them took place in this café. And then one night, a door slammed and the dream was over."


...for the later parade

sábado, 25 de agosto de 2007

O Banquete Estético da Arte Cinematográfica

"O Cinema está morto. vida longa ao Cinema", ele disse.

Para o cineasta Peter Greenaway, um filme é feito sobretudo de imagens em movimento. Ao diretor, interessa mais a composição do plano cinematográfico do que a construção do roteiro. Seu olhar tem a mesma sensibilidade da visão de um pintor, ocupado em representar meticulosamente na tela as cores, a disposição dos objetos no cenário, o movimento dos atores diante da câmera. Não é à toa que as suas preocupações estéticas dizem de cara quem Greenaway é: um artista plástico que, antes de começar a extensa carreira no cinema, dedicou tempo integral à pintura. "A única arte que me ensinou algo foi a pintura, eu penso que ela é arte suprema.

Michael e Georgina se encontram no banheiro multicolor

Se você quiser contar histórias, seja um escritor e não um cineasta", disse Greenaway pouco antes da estréia de
O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante, em 1989. Marcado pelo estilo barroco de figurinos e cenários, o filme acaba de ser lançado em DVD e confirma ser o melhor longa-metragem do cineasta até o momento. Apesar da ênfase na plasticidade de cada seqüência, O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante não desmerece a força de uma boa história que lembra o teor visceral das tragédias clássicas gregas. Morte, sexo e poder norteiam a história do gângster Albert Spica (Michael Gambon) que janta todas as noites no restaurante Le Hollandais em companhia de seus capangas e da esposa Georgina (Helen Mirren). Cansada do comportamento violento do marido, Georgina começa a flertar com o bibliotecário Michael (Alan Howard). A traição estimula Spica a preparar uma cruel vingança contra Michael, que por sua vez será vingado por Georgina. Enquanto isso se evidencia o contraste entre o rico e pedante Spica, que também é proprietário do restaurante, e o humilde e atencioso chef de cozinha Richard. E, no meio de toda a trama, um garotinho pontua cada ato com uma melancólica canção como se suprisse o papel do coro trágico.

Spica vê-se obrigado a degustar uma iguaria exótica

Sensações oriundas do baixo ventre exercem suma importância
em O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante. Há uma intrinseca relação entre a arte culinária e o sexo. "No mundo antigo, os romanos e os gregos sempre pensaram que a alma residia no abdômen; apenas os cristãos acreditavam que ela habitava o peito. As civilizações primitivas ensinaram que a barriga é o centro do corpo e sua própria gravidade, mas o cristianismo subverteu esse princípio ao considerar o coração como o âmago do homem", comentou Peter Greenaway sobre o filme. O cineasta também não poupa o espectador da violência e da escatologia para provocar uma reflexão mais intensa sobre as paixões do homem moderno e sua natureza animal. Logo no início, vemos a polêmica cena em que o ladrão, Albert Spica, violenta um homem na entrada do restaurante e o obriga a comer os excrementos dos cachorros que estão latindo e brigando. O contraponto à sujeira externa é a cozinha esverdeada, cujo cenário denota assepsia e purificação. Aliás, cada espaço apresenta cor e luz diferente para enfatizar sua importância cênica no decorrer das ações. "A cozinha é verde porque representa a floresta de onde vem todo o alimento; o restaurante é vermelho por ser onde toda a violência ocorre; o banheiro, onde os amantes fazem amor pela primeira vez, é como o paraíso, e como tal ele tinha de ser branco; tem uma breve seqüência no hospital que é iluminada com amarelo porque para mim é a cor das crianças, dos ovos, dos recém-nascidos; e finalmente a cor da biblioteca que é ouro, representando 'a época dourada do aprendizado', o idílico tempo em que tudo no Jardim do Éden era maravilhoso", chegou a explicar Greenaway na época do lançamento do filme nos cinemas.

O quadro de Frans Hals que inspirou Greenaway no seu Banquete

Convém observar o quadro "Banquete dos Oficiais da Companhia da Guarda de São Jorge", do holandês renascentista Frans Hals, que propositalmente enfeita a parede do salão principal do restaurante para dar conta do exercício de poder de Spica, durante as fartas e exóticas refeições, e também para criticar os bons costumes da Grã-Bretanha. Todo o moralismo britânico e cristão desmorona na cena final, que apenas os espectadores de estômago forte conseguem suportar e é de um lirismo primoroso, onde Georgie desafia o marido a cumprir o prometido, a devorar o amante morto.

domingo, 19 de agosto de 2007

Spielberg melhorado? sem comparações.


A Dama na Água mesmo com todo os seus defeitos é o mais belo filme de M. Night Shyamalan. E eu os digo o porque: É uma declaração de princípios à sua forma de fazer cinema, uma carta de amor à mise-en-scène. Toda a engrenagem de seus filmes está exposta nesta fábula. Nunca vou esquecer-me da forma como ele constrói a aparição da ninfa do mundo aquático Story desde o primeiro plano do filme, simplesmente anulando o contracampo; o extremo cuidado com o plano final de Cleveland refletido na água; e a beleza do tempo de corte no fade out final. Simplicidade que se transforma em imagens singelas e com uma magia extra, cortesia também da fotografia de Chris Doyle.
Qual outro cineasta construiria tão belos planos dentro de um filme Hollywoodiano nos dias de hoje? com exceção de WKW, creio que somente o realizador indiano. Já aguardo ansiosa seu próximo filme.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

¡ Letal !

meu Almodóvar preferido*

Un Año de Amor

Lo nuestro se acabó
y te arrepentirás de haberle puesto fin
a un año de amor.
Si ahora tú tevas
pronto descubrirás
que los días son eternos y vacios sin mí.
Y de noche, por la noche,
por no sentirt solo
recordarás
nuestros días felices,
recordarás el sabor de mis besos
y entenderás
en un solo momento
qué significa
un año de amor.
Te has parado a pensar
lo que sucederá,
todo lo que perdemos
y lo que sufrirás?.
Si ahora tú te vas no recuperaraás
los momento felices que te hice vivir.
Y de noche, por la noche,
por no sentirte solo
recordarás el sabor de mis besos
y entenderás
en un solo momento
qué significa
un año de amor.
Y entenderás
en un solo momento
qué significa
un año de amor.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

o “jogo de armar” cinematográfico

Para que servem os nossos nomes, certidão de nascimento, se no final das contas o que conta é quem somos e as atitudes que tomamos perante amigos e parceiros amorosos? E se temos nomes, por que então, para tudo que fazemos são os números que nos identificam: CPF, RG, Nº da conta do banco, etc. E o nosso nome? ele não passa de um mero coadjuvante, uma impressão do que somos sem na verdade termos consciência de quem somos! não é?
Um pouco anarquista esta introdução? niilista talvez? Pois então, o filme A Concepção, dirigido pelo iniciante José Eduardo Belmonte e produzido pela Olhos de cão (de Paulo Sacramento, que se especializa em produzir longas B.O. com temáticas polêmicas, como Amarelo Manga e Cama de Gato), não é um soco, é um chute no estômago de quem o vê, e vai muito além da premissa niilista.
A humanidade está doente.

O filme se passa em Brasília, começa com o cotidiano de alguns jovens filhos de diplomatas que trabalham fora do Brasil. Vivem em um apartamento Alex, Lino e Liz. São todos jovens e com um grande fator em comum: não agüentam mais o tédio do Distrito Federal. Esse tédio vai dar lugar a outras sensações. Tudo muda quando Lino e Alex vão a zona e lá conhecem X, personagem sem nome e sem história, mestre em falsificar documentos e alquimista. Os dois rapazes logo se interessam pelas idéias de X, os três encerram a noite nos lençóis.
No dia seguinte, X propõe a formação de um falso movimento, A Concepção, que prega entre outras coisas como, a morte do ego, abolir o dinheiro, o caminho do excesso, nem que pra isso seja necessário o uso de drogas, viver cada dia como se fosse o último. Daí começa um festival hedonista (tal qual em Os Idiotas, de Lars Von Trier, filme-símbolo do Dogma 95) levado as últimas consequências e reagado a drogas, rock, sexo e delitos.

O que querem os concepcionistas? Nada de magnífico, só querem viver, celebrar a morte do seu ser a cada 24 hs, abrir mão dos números, dos cartões, fraudar pessoas, ser um alguém a cada dia, se relacionar com pessoas sem distinção de sexo, abusar dos psicotrópicos, ultrapassar fronteiras.
"Conceda-te esse momento de liberdade, abra mão de ser quem você pensa que é"...O caminho é mais ou menos esse. Então, tá a fim de ser um concepcionista?

Agora, ser chamado de o trainspotting brasileiro? Não penso que seja por aí.....o diretor certamente se influencia pele filme de Danny Boyle, assim como por Clube da Luta ou os filmes de Larry Clark (diretor de Kids) ou mesmo pelo cinema Marginal de Sganzerla & Bressane, criando uma estética diferente no cinema Brasileiro, tecida de um frescor juvenil, num grande prisma de absolutamente toda possibilidade de fazer um cinema “sujo”: câmera tremida, desfocada, granulada, sons oscilantes, cores alteradas, efeitos especiais, cartoons, planos curtos, cortes rápidos, narrativa fragmentada e não-cronológica, tendo a captação em diferentes formatos: super-8, digital, 16mm, 35mm e cam de celular.

Narrativamente, é perigoso, mas ao mesmo tempo corajoso a forma como a temática de um grupo vivendo uma ideologia hedonista (algo como o ocorrido em Os Sonhadores, de Bertolucci), alheios ao mundo em que vivem e defendendo uma bandeira, e a ligação que a história desses jovens cria com um público ultrapassar a barreira do choque e criar uma conexão, suscitando reflexões sobre o que está sendo visto. Os concepcionistas, buscam legitimar uma vida que já levavam. As leis são feitas para se moldarem ao cotidiano, e não o contrário. Essas próprias leis, paradoxalmente, impedem que sejam cumpridas, e deixam claras que não atingem objetivo nenhum além do próprio prazer. Com isso, cria-se um 'link' antropofágico com o público, à medida em que somos devorados pelas falas e atitudes daqueles personagens. Mas eu me pergunto: e a experiência? pra mim, ela existiu no momento em que o filme se formou na minha mente como uma utopia, que se fora de controle, nos 'traga' de volta à realidade. A fala final de Lino ilustra essa desesperança e vazio: "um dia....eu poderei viver tudo isso que até hoje só foi parte de uma experiência adquirida...eu poderei sumir sem viver, ser niguém....um dia".

Nós nunca fomos nem deixaremos de ser...Concepcionistas

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Romântico sem ser piegas


I wanna make you smile whenever you're sad
Carry you around when your arthritis is bad

All I wanna do is grow old with you.

I'll get your medicine when your tummy aches

build you a fire if the furnace breaks

Oh it could be so nice, growin old with you.

I'll miss you, kiss you, give you my coat when you are cold.

Need you, feed you, I'll even let you hold the remote control.